Defeitos e reparos

CI PWM de notebook: o que é e por que ele queima

Quase todo notebook que recebe energia e não reage ao botão está preso no mesmo ponto: as tensões de standby não foram geradas. Quem gera essas tensões é o controlador PWM, um chip pequeno que raramente falha sozinho.

Equipe técnica Notehelp Atualizado em 5 de setembro de 2026 Leitura de 5 minutos

O que faz um controlador PWM

PWM é a sigla de modulação por largura de pulso. O controlador PWM é o chip que comanda um conversor abaixador: ele liga e desliga um par de transistores em alta frequência para transformar os 19 V que entram pela fonte em tensões menores e estáveis, como 5 V e 3,3 V. O trabalho pesado é feito pelos MOSFETs, pelo indutor e pelos capacitores. O CI apenas decide o ritmo, mede a saída e corrige.

Em uma placa de notebook existem vários desses conjuntos. Um gera as linhas de standby, outros geram a tensão de memória, a de núcleo do processador, a do chip gráfico e a de barramentos auxiliares. Chips comuns nessa função levam nomes como RT8205, RT8206, TPS51125, MAX8778 e OZ8119, entre dezenas de equivalentes.

Por que as tensões de standby vêm antes de tudo

Notebook desligado não está morto. Assim que a fonte é conectada, o circuito de entrada libera os 19 V para o primeiro conversor, que gera 3,3 V e 5 V permanentes, chamados de standby ou always on. Essas duas linhas alimentam o controlador embarcado, o chip que fica ouvindo o botão de ligar e coordenando a partida, descrito em firmware EC e BIOS.

Sem standby não existe controlador embarcado acordado, e sem ele o botão de ligar não faz absolutamente nada. É por isso que a medição dessas duas linhas é uma das primeiras coisas que se faz em qualquer placa que não liga, roteiro detalhado em como medir os trilhos de standby.

Sintomas de PWM com defeito

  • O notebook não reage ao botão. Nenhum LED de atividade, nenhuma ventoinha, nada.
  • Consumo zero na fonte de bancada. A placa aceita os 19 V e não puxa corrente nenhuma, sinal de que o primeiro conversor nem tentou funcionar.
  • Consumo travado no limite. O oposto: a placa dispara para o limite de corrente assim que recebe tensão, típico de MOSFET em curto arrastando o CI.
  • Standby presente e instável. A tensão aparece, oscila e cai, e o equipamento tenta ligar e desliga.
  • Uma linha existe e a outra não. Muitos controladores geram 5 V e 3,3 V no mesmo encapsulamento, e a falha de apenas um canal é comum.

Como se testa o circuito na bancada

O teste segue a lógica do sinal: primeiro se confirma o que entra, depois o que habilita, por último o que sai.

  1. Entrada. Confirmar 19 V chegando ao dreno dos MOSFETs superiores e à alimentação do CI.
  2. Habilitação. Verificar o pino de enable. Se ele estiver em nível baixo, o CI está sendo mandado ficar desligado por outro circuito, e o defeito não é dele.
  3. Referência interna. Muitos controladores entregam uma tensão de referência, em torno de 2 V ou 3,3 V, que só existe se o chip estiver vivo por dentro.
  4. Chaveamento. No nó entre os dois MOSFETs deve haver uma forma de onda quadrada. Sem osciloscópio dá para inferir pela tensão média, mas é o instrumento que fecha o diagnóstico, como comentamos em os instrumentos da bancada.
  5. Saída. Medir a tensão depois do indutor e comparar com o valor nominal.
O erro mais comum do reparo

Concluir que o CI PWM está queimado porque não há tensão na saída. Na maioria das vezes o CI está bom e apenas não recebeu o comando de ligar, ou está protegido porque enxerga curto na própria saída. Medir o pino de enable antes de dessoldar qualquer coisa evita a troca desnecessária.

Por que o CI queima

Raramente o controlador falha por conta própria. As causas reais, em ordem de frequência na bancada, são: MOSFET em curto, que joga os 19 V direto no nó de chaveamento e leva o driver interno do CI junto; capacitor cerâmico de saída em curto, que faz o conversor trabalhar contra uma carga impossível; surto de rede elétrica, que chega pela fonte; e líquido, cuja corrosão cria caminhos entre pinos vizinhos, cenário de placa oxidada por líquido.

Há também o caso do calor: conversor trabalhando com dissipação prejudicada por poeira e pasta térmica vencida envelhece mais rápido. Não é a causa principal, mas explica por que máquinas sem manutenção preventiva concentram esse tipo de falha.

Por que trocar só o CI não resolve

Quando um MOSFET entra em curto, ele costuma levar o driver do controlador. Trocar apenas o controlador e devolver a máquina significa colocar um chip novo para comandar um transistor defeituoso: o resultado é a mesma falha em minutos ou dias. Por isso o procedimento correto troca o conjunto, controlador e par de MOSFETs, e só então religa com corrente limitada.

Na sequência, mede-se novamente a linha em modo diodo para garantir que nenhum capacitor da saída ficou em curto. Esse cruzamento entre a troca e a nova medição é o que separa um reparo que dura de um reparo que volta, e é o mesmo raciocínio da análise de curto.

O que dá para verificar sem abrir

Do lado de fora, três observações ajudam o técnico antes mesmo da bancada. A primeira é se o LED de carga acende ao conectar a fonte: se acende, os 19 V chegaram à placa e o circuito de entrada está fazendo o papel dele. A segunda é se a fonte esquenta ou o LED dela apaga ao conectar, indício de consumo anormal. A terceira é se houve evento antes da falha, como queda de energia, tempestade, líquido ou uso de carregador emprestado.

Nada disso substitui a medição, mas encurta bastante o caminho. Se o equipamento chegou a esse ponto, o próximo passo é a bancada: fazemos o diagnóstico sem custo e só depois falamos em orçamento de reparo de placa-mãe.

Perguntas frequentes

O que é o CI PWM do notebook?

É o chip que comanda os conversores de tensão da placa. Ele liga e desliga transistores em alta frequência para transformar os 19 V da fonte nas tensões menores usadas por processador, memória, vídeo e circuitos de standby.

Notebook que não reage ao botão é sempre PWM?

Não, mas é uma das causas mais frequentes. Sem as tensões de standby o controlador embarcado não acorda, e sem ele o botão não produz efeito. A medição dessas linhas é o teste que separa os cenários.

Dá para trocar o controlador PWM em casa?

Não é um trabalho de bancada doméstica. São encapsulamentos pequenos, com pinos sob o corpo do chip em muitos modelos, e exigem ar quente com perfil de temperatura, fluxo adequado e medição antes e depois.

Trocar o CI resolve de vez?

Só quando os MOSFETs e os capacitores da mesma linha também são verificados e substituídos se necessário. Trocar apenas o controlador em um circuito com transistor em curto devolve o defeito em pouco tempo.

Qual a diferença entre PWM de standby e PWM de núcleo?

O de standby gera as tensões permanentes que acordam a placa assim que a fonte é conectada. Os de núcleo geram a tensão do processador e do vídeo, e só entram em ação depois do comando de ligar.

Placa recebe energia e não reage?

Medimos as linhas de standby, o pino de habilitação e o chaveamento antes de falar em troca de componente. Diagnóstico gratuito.

Agendar avaliação
Equipe técnica Notehelp

Assistência especializada só em notebooks desde 2007, na Vila Mariana, em São Paulo. Mais de 20.000 equipamentos atendidos e nota 4,7 no Google. Este conteúdo é escrito a partir do que vemos na bancada todos os dias.

Notebook morto mesmo com fonte boa?

A resposta está nas tensões de standby. Trazemos o equipamento para a bancada e medimos ponto a ponto, sem custo de avaliação.

(11) 5081-6017